Quais
foram os principais avanços científicos que
foram mostrados na ASCO?
Dr. Wagner: Neste encontro da ASCO, pude perceber
duas frentes de avanços científicos que marcam
uma nova era da especialidade. A primeira é uma nova
maneira de pensar nas novas drogas. A tendência é
procurar identificar novos medicamentos que atacam pontos
específicos das células responsáveis
pelo fenótipo canceroso. A segunda seria na postura
dos médicos diante da metodologia científica,
a maneira de utilizar estas novas técnicas para simplificar
os estudos clínicos na área da oncológica.
Esta nova etapa vai exigir um conhecimento de biologia molecular
do tumor, de fisiologia da célula tumoral, desenvolvimento
de novas drogas específicas para estes alvos e mudança
do conceito que todo câncer tem que ser uma doença
curável. O câncer pode ser visto como uma doença
crônica, que pode ser controlada a longo prazo e que
o paciente possa ter uma expectativa de vida normal.
Estas
novas técnicas possuem um custo muito elevado?
Dr. Wagner: O custo do tratamento oncológico
passou a ser um fator primordial a ser discutido já
que teve um aumento significativo nos últimos tempos.
O senhor
acredita que em um país como o Brasil, de recursos
tão escassos na saúde, estes novos avanços
vão poder ser disponibilizados para a população?
Dr. Wagner: Nós temos que ter uma certa prudência
em adotar um conhecimento novo, porque muitos desses resultados
iniciais podem não se confirmar mais tarde. Outro extremo,
é que ainda não conseguimos aplicar resultados
consagrados de congressos de seis, sete anos atrás,
principalmente para pacientes previdenciários, do SUS. |
 |