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O
tratamento oncológico pode causar alguns efeitos
colaterais. É preciso, durante este período,
fortalecer o organismo e para isso, uma boa alimentação
é essencial, pois ajuda o paciente a se sentir
melhor, manter o peso adequado e passar pelo tratamento
da melhor maneira possível, melhorando assim
sua qualidade de vida.
Para saber mais sobre o assunto, o CQAI entrevistou
nutróloga e cardiologista Fernanda
Schettino Cerqueira fala como e o que fazer para obter
uma alimentação saudável durante
o tratamento do câncer.
CQAI: Quais são as limitações
de alimentação do paciente oncológico?
Dra.
Fernanda Schettino: A principal limitação
é que a maioria dos pacientes não ingere
a quantidade adequada para alcançar suas necessidades
diárias de calorias, proteínas, vitaminas
e sais minerais.
CQAI: Quais os pacientes que têm
seus hábitos alimentares mais alterados?
Dra.
Fernanda Schettino: Quase todos, sobretudo
2 grupos: aqueles com tumores na região da cabeça
e pescoço (língua, palato, mandíbula)
que têm muita dificultade na mastigação
e na deglutição; e os pacientes com acometimento
do trato gastrointestinal (esôfago, estômago,
pâncreas, intestinos), que podem sofrer de problemas
mecânicos como obstrução no esôfago,
em que o paciente tem fome, consegue engolir o alimento,
mas o alimento não passa pelo órgão
ou problema de absorção dos nutrientes.
CQAI:
Quais os efeitos colaterais do tratamento oncológico
que podem vir a interferir na alimentação?
Dra.
Fernanda Schettino: Os principais são:
náusea, vômito, diarréia, obstipação
intestinal, falta de apetite, alteração
no paladar, sensação de boca seca e feridas
na cavidade oral.
CQAI:
Durante a quimioterapia, qual a alimentação
mais adequada para o paciente?
Dra.
Fernanda Schettino: É muito variável,
depende do local da lesão e do tratamento utilizado.
Em linhas gerais, orientamos evitar alimentos muito
ácidos, condimentados, engordurados e excesso
de café.
CQAI:
Quais são as dicas nutricionais para solucionar
problemas como falta de apetite, boca seca, náuseas
e vômitos?
Dra.
Fernanda Schettino: Para falta de apetite,
orientamos ao paciente alimentar-se em pequenas quantidades,
porém com intervalos curtos de duas horas. Procuramos
também, aumentar a ingestão de uma determinada
fração de um ácido graxo essencial,
chamado de ômega três, presente no óleo
de peixe e no óleo de linhaça. Para boca
seca, existe saliva artificial, mas na prática
encontramos muitos pacientes com dificuldades financeiras.
O que sugerimos é que utilizem uma pedrinha de
gelo para passar na língua cerca de 15 minutos
antes das refeições. Quanto a náuseas
e vômitos, de modo geral, o paciente utiliza algum
anti-hemético (remédio para não
vomitar). Entretanto, durante os períodos em
que esses sintomas estão mais significativos,
orientamos refeições leves e hidratação
oral adequada. Como água de coco, sucos leves,
maçã sem casca, às vezes sorvete
de creme e picolé de limão.
CQAI: Qual a alimentação
adequada para que o paciente possa recuperar peso em
caso de desnutrição?
Dra.
Fernanda Schettino: A alimentação
adequada é aquela que contemple as necessidades
de calorias, ácidos graxos, proteínas,
vitaminas e sais minerais. Não existe um roteiro
padrão, cada caso deve ser avaliado separadamente
com objetivo de oferecer uma dieta balanceada, de acordo
com os alimentos que o paciente goste mais. Por exemplo,
algumas pessoas detestam bife de fígado. Se a
nós forçarmos a ingerir, podem passar
mal. Outras já aceitam muito bem. Por isso, cada
pessoa deve ter uma orientação nutricional
feita especialmente para ela.
CQAI:
Qual a alimentação recomendada a pacientes
que, além de oncológicos, são diabéticos?
Dra.
Fernanda Schettino: De modo geral, evitar o
açúcar comum e ajustar a quantidade diária
de carboidratos como arroz, aveia, batata, mandioca,
inhame, pães, macarrão entre outros.
CQAI:
Qual a sua opinião sobre tratamentos alternativos?
Dra.
Fernanda Schettino: Uma faca de dois gumes!
Existem inúmeros tipos diferentes de tratamentos
alternativos. A maior dificuldade é a falta de
respaldo científico sobre seus resultados. Dentro
da medicina, temos por conduta orientar tratamentos
cuja eficácia tenha comprovação
e isso implica inúmeros trabalhos científicos,
estudos e testes. Com o tratamento alternativo, nem
sempre isso acontece. Algumas substâncias ainda
estão sendo estudadas e pode ser que futuramente
tenham resultados excelentes. Por outro lado, podem
também fazer mal e piorar a condição
clínica de um paciente, que na maioria das vezes
já está debilitado. O que nós vemos
no no dia-a dia é que, tanto os pacientes quanto
os familiares, buscam todos os recursos possíveis,
o que é compreensível, diante do momento
difícil que estão vivendo. Porém,
é importante não perder o bom senso. Por
exemplo, em alguns casos a busca é por um equilíbrio
emocional, ou seja, ter alguém disposto a ouvir
suas angústias, seus medos, fazer um relaxamento,
orações, grupos de apoio, pensamentos
filosóficos, entre outros. Desde que o paciente
não abandone o tratamento médico.
O cuidado maior deve ser com chás de ervas desconhecidas,
alguns produtos caríssimos que prometem soluções
milagrosas, substâncias injetadas no organismo
sem conhecimento do médico. Nesses casos, a complicação
pode ser muito grave. O bom senso deve prevalecer. |