Home> Imprensa > Notícias
2005
2006
Nutrição para pacientes oncológicos
Por que alimentar-se bem é importante para o tratamento?

 





O tratamento oncológico pode causar alguns efeitos colaterais. É preciso, durante este período, fortalecer o organismo e para isso, uma boa alimentação é essencial, pois ajuda o paciente a se sentir melhor, manter o peso adequado e passar pelo tratamento da melhor maneira possível, melhorando assim sua qualidade de vida.
Para saber mais sobre o assunto, o CQAI entrevistou nutróloga e cardiologista
Fernanda Schettino Cerqueira fala como e o que fazer para obter uma alimentação saudável durante o tratamento do câncer.


CQAI: Quais são as limitações de alimentação do paciente oncológico?

Dra. Fernanda Schettino: A principal limitação é que a maioria dos pacientes não ingere a quantidade adequada para alcançar suas necessidades diárias de calorias, proteínas, vitaminas e sais minerais.

CQAI: Quais os pacientes que têm seus hábitos alimentares mais alterados?

Dra. Fernanda Schettino: Quase todos, sobretudo 2 grupos: aqueles com tumores na região da cabeça e pescoço (língua, palato, mandíbula) que têm muita dificultade na mastigação e na deglutição; e os pacientes com acometimento do trato gastrointestinal (esôfago, estômago, pâncreas, intestinos), que podem sofrer de problemas mecânicos como obstrução no esôfago, em que o paciente tem fome, consegue engolir o alimento, mas o alimento não passa pelo órgão ou problema de absorção dos nutrientes.

CQAI: Quais os efeitos colaterais do tratamento oncológico que podem vir a interferir na alimentação?

Dra. Fernanda Schettino: Os principais são: náusea, vômito, diarréia, obstipação intestinal, falta de apetite, alteração no paladar, sensação de boca seca e feridas na cavidade oral.

CQAI: Durante a quimioterapia, qual a alimentação mais adequada para o paciente?

Dra. Fernanda Schettino: É muito variável, depende do local da lesão e do tratamento utilizado. Em linhas gerais, orientamos evitar alimentos muito ácidos, condimentados, engordurados e excesso de café.

CQAI: Quais são as dicas nutricionais para solucionar problemas como falta de apetite, boca seca, náuseas e vômitos?

Dra. Fernanda Schettino: Para falta de apetite, orientamos ao paciente alimentar-se em pequenas quantidades, porém com intervalos curtos de duas horas. Procuramos também, aumentar a ingestão de uma determinada fração de um ácido graxo essencial, chamado de ômega três, presente no óleo de peixe e no óleo de linhaça. Para boca seca, existe saliva artificial, mas na prática encontramos muitos pacientes com dificuldades financeiras. O que sugerimos é que utilizem uma pedrinha de gelo para passar na língua cerca de 15 minutos antes das refeições. Quanto a náuseas e vômitos, de modo geral, o paciente utiliza algum anti-hemético (remédio para não vomitar). Entretanto, durante os períodos em que esses sintomas estão mais significativos, orientamos refeições leves e hidratação oral adequada. Como água de coco, sucos leves, maçã sem casca, às vezes sorvete de creme e picolé de limão.

CQAI: Qual a alimentação adequada para que o paciente possa recuperar peso em caso de desnutrição?

Dra. Fernanda Schettino: A alimentação adequada é aquela que contemple as necessidades de calorias, ácidos graxos, proteínas, vitaminas e sais minerais. Não existe um roteiro padrão, cada caso deve ser avaliado separadamente com objetivo de oferecer uma dieta balanceada, de acordo com os alimentos que o paciente goste mais. Por exemplo, algumas pessoas detestam bife de fígado. Se a nós forçarmos a ingerir, podem passar mal. Outras já aceitam muito bem. Por isso, cada pessoa deve ter uma orientação nutricional feita especialmente para ela.

CQAI: Qual a alimentação recomendada a pacientes que, além de oncológicos, são diabéticos?

Dra. Fernanda Schettino: De modo geral, evitar o açúcar comum e ajustar a quantidade diária de carboidratos como arroz, aveia, batata, mandioca, inhame, pães, macarrão entre outros.

CQAI: Qual a sua opinião sobre tratamentos alternativos?

Dra. Fernanda Schettino: Uma faca de dois gumes! Existem inúmeros tipos diferentes de tratamentos alternativos. A maior dificuldade é a falta de respaldo científico sobre seus resultados. Dentro da medicina, temos por conduta orientar tratamentos cuja eficácia tenha comprovação e isso implica inúmeros trabalhos científicos, estudos e testes. Com o tratamento alternativo, nem sempre isso acontece. Algumas substâncias ainda estão sendo estudadas e pode ser que futuramente tenham resultados excelentes. Por outro lado, podem também fazer mal e piorar a condição clínica de um paciente, que na maioria das vezes já está debilitado. O que nós vemos no no dia-a dia é que, tanto os pacientes quanto os familiares, buscam todos os recursos possíveis, o que é compreensível, diante do momento difícil que estão vivendo. Porém, é importante não perder o bom senso. Por exemplo, em alguns casos a busca é por um equilíbrio emocional, ou seja, ter alguém disposto a ouvir suas angústias, seus medos, fazer um relaxamento, orações, grupos de apoio, pensamentos filosóficos, entre outros. Desde que o paciente não abandone o tratamento médico.
O cuidado maior deve ser com chás de ervas desconhecidas, alguns produtos caríssimos que prometem soluções milagrosas, substâncias injetadas no organismo sem conhecimento do médico. Nesses casos, a complicação pode ser muito grave. O bom senso deve prevalecer.

..........................................................................................................
Centro de Quimioterapia Antiblástica e Imunoterapia Ltda
Avenida Antônio Carlos, 1694 - Bairro Cachoeirinha - CEP:31.210-000 - Belo Horizonte - MG
Tel:31 3519-2200
E-mail: cqai@cqai.com.br
Fale com o Webmaster: Aline Pereira Lopes