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A incidência do câncer
de mama tem crescido em todo o mundo nos últimos
anos e sua ocorrência têm sido cada vez
mais freqüente. No ano de 2000, eram estimados
28.340 novos casos da doença. Para este ano,
segundo estatísticas do Instituto Nacional do
Câncer (INCA), eram esperados cerca de 50.000
novos casos em todo o país. O aumento das estatísticas
preocupa as mulheres, as mais acometidas pela doença,
principalmente pelas conseqüências físicas
e psicológicas que o câncer de mama pode
gerar. O diagnóstico gera um forte impacto emocional,
devido ao estigma negativo que a doença carrega.
Exatamente por isso, é fundamental que a paciente
tenha durante todo o tratamento, um acompanhamento psicológico,
que o auxilie a compreender o adoecimento e o processo
de cura.
O Projeto ConheSer – Integração
e Orientação Oncológica –mostrou
em seu último encontro do ano, no dia 16 de dezembro,
como a atuação desse profissional é
importante durante o tratamento. Segundo a palestrante,
Letícia Lobato Uyemura*, “a
psicologia é carregada de mitos e é preciso
esclarecer qual é o seu papel junto à
oncologia. A abordagem psicológica busca ajudar
a paciente a se conhecer melhor, para que ela própria
faça suas escolhas de forma autônoma e
autêntica” - afirma.
O adoecimento faz emergir a fragilidade humana e a possibilidade
de morte. Há uma tendência de esconder
os sentimentos. Nesse sentido, a psicologia tenta abrir
espaço para que a mulher possa se reconhecer
e se sentir aceita e valorizada, diante das conseqüências
que o tratamento pode trazer, como a perda da mama,
queda do cabelo e limitações físicas.
“Não podemos reduzir a mulher ao câncer
de mama. É importante considerá-la na
sua totalidade e resgatar nela e em sua família
seu real valor”.
Além da palestra Abordagem Psicológica
no Tratamento do Câncer de Mama, os participantes
do ConheSer puderam assistir à palestra Hormonioterapia
no Tratamento do Câncer de Mama, do oncologista
Eugênio Baumgratz Lopes**.
Depoimento
O depoimento do ConheSer foi feito por Maria Helena
Moreira, membro do Grupo de Apoio Mama Feliz. Ela recebeu
o diagnóstico do câncer de mama em 2001
e, a partir disso, iniciou uma fase de grandes mudanças.
“Com a doença, me transformei em uma nova
mulher. Comecei a enxergar novos horizontes. Perdi a
mama, mas não o peito e nem a disposição
de lutar pela vida”.
O objetivo principal do encontro é promover,
através de uma abordagem multidisciplinar, a
integração entre pacientes oncológicos
e profissionais, a democratização de experiências,
divulgar informações sobre o câncer,
oferecer suporte emocional e auxiliar pacientes como
enfrentar a doença, de forma que tenham uma melhor
qualidade de vida e maior chance de sobrevida. O projeto
é gratuito e aberto para toda a comunidade, inclusive
a pacientes e profissionais de outros serviços.
O evento é uma realização do Centro
de Quimioterapia Antiblástica e Imunoterapia
(CQAI) conta o patrocínio do laboratório
Roche, com o apoio do Centro de Estudos e Pesquisas
Oncológicas de Minas Gerais (Ceomg), do Hospital
Belo Horizonte e do Grupo Santa Casa.
* Psicóloga, especialista em psicologia clínica
e membro da Sociedade Brasileira de Psico-oncologia.
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** Oncologista, médico assistente do Serviço
de Oncologia da Santa Casa e do Hospital Belo Horizonte
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